sábado, 2 de abril de 2011

Livre

 Primeiro me desprendi dos formatos de escravidão moderna que intitulamos trabalho. Em seguida, dos valores pre-estipulados por uma cultura opressora e controladora, que abduz a felicidade das pessoas. Daí por diante, os fatos subsequentes foram quase mera consequência.
Quando se almeja tais mudanças, é preciso estar ciente de que um emaranhado de enfrentamentos se seguirão. Tudo passa a ter outro sentido, menos obrigatório ou fantástico, e mais contemplativo.
Fantástico é o que vem depois, as conquistas dos pequeninos detalhes, a paz interior e a felicidade em seu âmago. Ao abrir a boca, não se ouve mais as eloquentes palavras, mas ruídos, grunhidos e rosnados. Sons primitivos que remetem aos animais selvagens, com os quais tenho me afeiçoado mais e mais. Com isso, o amor deixa de ser sentimento de posse, objeto de desejo ou arquitetura de jogos dramáticos. Ele simplesmente flui. E os medos e receios ocupam os seus devidos lugares, bem ao canto, com pouco destaque. Todas as provações, bloqueios e inseguranças, gerados por uma preocupação vazia com a opinião alheia simplesmente deixam de existir. Mas existe, nisso tudo, um aspecto seriamente negativo, pois quase não há mais convergência entre minha ideologia e as verdades do mundo. Cedo ou tarde, alguém vai perder essa disputa...

...e eu não preciso de dicas pra saber quem.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pratos japoneses e orações budistas


Dia desses li uma história interessante num blog qualquer, não me lembro o nome. Falava de velhos costumes, de envelhecer e da tristeza e beleza disso tudo junto. Quando lembro das reuniões de família nas comemorações, lembro de alguns pratos típicos, que se tornavam especiais depois de anos e anos de repetição e aperfeiçoamento. Aquela torta da avó, o pudim da tia ou o tempero secreto da mãe. Com o passar do tempo, as comemorações parecem ter perdido a intensidade e, conversando a respeito com amigos, entendemos que certa perda da fé na religião de uma maneira geral somado ao envelhecimento foram capazes de suprimir as celebrações de final de ano. E de uns anos pra cá, aquele prato japonês outrora delicioso da minha avó já não vinha mais sendo o mesmo. Todos notaram mas ninguém comentou, com receio de interromper ou estragar uma das poucas tradições que ainda se mantinham. Neste ano não houve prato japonês da minha avó. Ela simplesmente não se lembrou. Mais ou menos parecido quando meu avô, pouco antes de falecer, disse que não precisava mais rezar para os deuses budistas como fez a vida inteira, sua missão estava cumprida.

A vida tem um ciclo que me desagrada.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Fator Sorte

A vida costumava ser um emaranhado de acontecimentos ruins. Perdas, desilusão, dor e solidão. Um dia cheguei até o que parecia ser o meu fundo do poço. Acho que é por isso que sempre se diz que só se aprende na marra, sentindo na própria pele. Lá o horizonte se expandiu e planejei uma grande mudança. Até brinquei e inventei algo que chamei de "fator sorte", que nada mais era do que a minha crença de que, de repente, tudo começava a dar certo. Então eu brincava que era uma maré, uma fase boa, que tinha de ser aproveitada ao máximo. Pois olha que isso aconteceu há uns 10 anos atrás, e de lá pra cá as coisas nunca mais deixaram de melhorar. 

Fator sorte?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Volto logo!

Não, eu não abandonei este espaço. É só que a correria está tão grande com trabalhos, nova casa e outras coisas, que eu só penso em descansar. Mas eu volto logo, com boas novas.

domingo, 9 de maio de 2010

Com o passar do tempo...



Tem um cuidado que parece estar fadado a morrer com o passar do tempo. Algo que permeia entre o onírico, o subconsciente e o inevitável.

Uma reportagem que li fala de química, de reações do corpo humano reduzindo-nos a meros animais inertes, impedidos de guiar o próprio destino.

O que eu preguei foi sempre o contrário, a existência de algo verdadeiro, que o tempo insiste em desacordo com meus pensamentos, talvez equivocados.

Talvez eu esteja mesmo errado. Talvez o tempo, a reportagem, o padrão e toda essa onda massificada de idiotas estejam todos certos...

Se for isso mesmo, eu vou embora.

domingo, 7 de março de 2010

Ensaio sobre a Avenida Paulista

Caminho pela Avenida Paulista e imagino o que as pessoas pensam. Se pra elas esse é um momento especial ou apenas corriqueiro. "Andar na Paulista". Pra mim, isso tem um significado especial. Sempre gostei e acho que, enquanto morar em São Paulo, devo manter esse hábito involuntariamente. Ontem saí pra umas dessas caminhadas, com tempo pra gastar. Primeiro fui resolver o que tinha que fazer, encontrar um programa de áudio pra enriquecer minhas brincadeiras musicais. Missão cumprida logo nos primeiros minutos, tive todo o resto pra caminhar sem destino. Passei no prédio da Gazeta, onde as escadarias me trouxeram recordações boas. Olhando pro outro lado, vi o grande prédio espelhado sobre a Fnac que já serviu de cenário para antigas fotografias. Em frente à Fiesp, onde já vi incontáveis exposições fantásticas, como a do japonês Haruo Ohara, me lembro também dos tempos de faculdade, quando fizemos o "vaia.sp.br", que documentava uma então inédita passeata realizada pela classe média, protestando contra o governo Lula em tempos de apagão e acidentes aéreos com a TAM. Vejo, com certo alívio, o prédio ao lado do Masp, interditado e em processo de recuperação (finalmente!), e me lembro das filmagens no casarão da família da Andrea. Já na Augusta, tantos filmes me vêm à mente quando miro o Espaço Unibanco. Paro pra um café na esquina da galeria do velho sebo. Nas bancas de rua encontro, por 5 reais, uma versão do livro Dersu Uzala, escrita por um russo e transformada em filme pelo mestre Kurosawa. A kebaberia cara porém deliciosa, as pizzas em fatias com gosto de comida velha, os "pratos feitos" do BH e um boteco qualquer chamado Ibotirama, onde conheci a mulher da minha vida.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Nowadays

É, eu tinha postado algo dizendo como não entendo muitas coisas no comportamento humano. Mas achei melhor retirar. Chega de lamúrias ao vento. Hoje estou sozinho com meus pensamentos e talvez por isso tanta coisa venha à tona de repente. Que seja, eu aguento, sozinho ou não.

Mas sinto os ecos da incongruência entre criticar e tentar agradar, ao mesmo tempo.

Ecos...