Dia desses li uma história interessante num blog qualquer, não me lembro o nome. Falava de velhos costumes, de envelhecer e da tristeza e beleza disso tudo junto. Quando lembro das reuniões de família nas comemorações, lembro de alguns pratos típicos, que se tornavam especiais depois de anos e anos de repetição e aperfeiçoamento. Aquela torta da avó, o pudim da tia ou o tempero secreto da mãe. Com o passar do tempo, as comemorações parecem ter perdido a intensidade e, conversando a respeito com amigos, entendemos que certa perda da fé na religião de uma maneira geral somado ao envelhecimento foram capazes de suprimir as celebrações de final de ano. E de uns anos pra cá, aquele prato japonês outrora delicioso da minha avó já não vinha mais sendo o mesmo. Todos notaram mas ninguém comentou, com receio de interromper ou estragar uma das poucas tradições que ainda se mantinham. Neste ano não houve prato japonês da minha avó. Ela simplesmente não se lembrou. Mais ou menos parecido quando meu avô, pouco antes de falecer, disse que não precisava mais rezar para os deuses budistas como fez a vida inteira, sua missão estava cumprida.
A vida tem um ciclo que me desagrada.

2 comentários:
envelhecer, do Arnaldo Antunes... ouça..
opa, já ouvi...
"a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer..."
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